Linha de poesia…

“Quem tem alma não tem calma” – Fernando Pessoa, um graffiti com uma frase do famoso poema de Fernando Pessoa “Não sei quantas almas tenho”. Está inscrita no exterior de um muro da Escola Secundária Fernão de Magalhães, mesmo emfrente do Forte de São Francisco, com uma vista fantástica no centro e o castelo em plano de fundo…

O poema inteiro está aqui :
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que eu sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu”?
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa_Chaves

A line of poetry…              

“Quem tem alma não tem calma” – Fernando Pessoa, meaning “A man who has soul has no calm”, a graffiti with a line of the famous poem “I don’t know how many souls I have”. It is written in the outside wall of the Junior High School Fernão de Magalhães, right in front of the Forte of Sao Francisco, with an amazing view on the historic center and castle in the background…

Here comes the full poem :

I don’t know how many souls I have.
I’ve changed at every moment.
I always feel like a stranger.
I’ve never seen or found myself.
From being so much, I have only soul.
A man who has soul has no calm.
A man who sees is just what he sees.
A man who feels is not who he is.

Attentive to what I am and see,
I become them and stop being me.
Each of my dreams and each desire
Belongs to whoever had it, not me.
I am my own landscape,
I watch my own journey –
Various, mobile, and alone.
I can’t feel myself in all the places I stand

That’s why I read, as a stranger,
My being as if they were pages.
Not knowing what will come
And forgetting what has passed,
I note in the margin of my reading
What I thought I felt.
Rereading,  and I say: “Was that me?”
God knows, because he wrote it.

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