As maiores Termas Romanas da Península Ibérica

No passado mês de Agosto, durante a Festa dos Povos, tive a oportunidade de visitar o futuro Museu das Termas Romanas, um legado importante que nos deixaram os Romanos, e que foi descoberto há uma década completamente por acaso. As Termas Romanas representam uma testemunha fundamental da existência de povos romanos na Cidade de Chaves (junto com os vários castros o a via Romana XVII que pasava pela Ponte de Trajano).

As Termas Romanas foram descobertam por acaso em 2006 quando a Câmara Municipal de Chaves se preparava para construir um parque de estacionamento subterrâneo no Largo do Arrabalde junto ao Tribunal de Chaves. A Câmara Municipal então mandou arqueólogos para fazer escavações que duraram alguns anos e que revelaram à luz as maiores termas medicinais romanas da Península Ibérica.

Para além das estruturas, as muralhas, as piscinas grandes e individuais, foram descobertos vários objectos de uso pessoal, objectos de adornos, anéis, pulseiras, pentes, pratos e metais que foram encontrados em muito bom estado de conservação, pelo facto de as terras terem ficado húmidas e seladas durante todo este tempo. Toda a basa dessas termas esta em madeira ainda preservada. Os objetos encontrados ficam expostos no Museu da Região Flaviense.

Com esta descoberta única, aprendemos muito sobre o período Romano em Aquae Flaviae e o uso das Termas nessa época.

As Termas Romanas tiveram uma primera fase de ocupação no século I e depois em final do século II, inicio do século III, houve uma profunda remodelação do balneario. As termas tal como as vemos hoje vêm desta última remodelação. As Termas Romanas foram em plena ocupação e funcionamento até ao final do século IV quando um grande sismo na cidade enterrou todo o espaço. Segundo vestígios encontrados no local e analisados pelos arqueólogos, a ocorrência desse sismo terá sido uma situação parecida à de Pompeia, cidade romana atingida e destruída pela erupção de um vulcão.

Depois das termas terem destruidas pelo sismo, foi saqueado pedras das paredes durante alguns 200 anos no espaço que foi depois abandonado. Se torna ver uma ocupação por volta dos séculos 9 e 10 quando começa a haver vestígios. Depois durante muitos anos, foi aqui que funcionaram as forjas da cidade. Mais tarde no século XVI, nasce a muralha seiscentista que passou aqui e assentou se os seus troços encima das antigas termas. Nos finais do século XVIII, inicio do século XIX, o Mercado Municipal de Chaves installou-se neste sitio ( no que chamamos hoje Largo do Arrabalde) até finais de 1945.

Nas Termas Romanas que ficam hoje as 6 a 8 metros de profundidade, os arqueólogos identificaram dez piscinas : três grandes e sete pequenas piscinas individuais. Todas as piscinas têm 4 entradas, menos uma piscina que só tem 3 entradas. Havia um aceso no balneario pela via pública, possivelmente outras entradas, 4 no total, em cada lado das termas.

No século I, existía termas terapêuticas e termas higiénicas, que estavam mesmo ao lado. De fato, na época Romana, a população de Aquae Flaviae não tinham casa de banho dentro de casa e pois como havia um hábito de tomar banho todos os dias, os romanos vinham as termas hygiénicas.

As termas terapêuticas só existiam onde é que havia águas medicinais e por tanto com as suas famosas aguas medicinais, fazia sentido ter termas medicinais em Aquae Flaviae. As águas termais foram um dos principais motivos de fixação da população e fundação da cidade romana de Aquae Flaviae. As termas medicinais de Aquae Flaviae, que podemos considerar como os primeiros hospitais do Império Romano, faziam parte de uma rede de tratamentos termais tal como as restantes cidades romanas com o elemento “Aquae” no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania. Segundo vestígios encontrados durante as escavações, as pessoas vinham de longe para tratar-se (Andaluzia ou Barcelona).

No balneario, havia também uma parte onde os romanos pudiam fazer exercícios físicos, apanhar banhos de sol, ou simplesmente pudiam ficar sentados no banho.

Numa parte ao fundo das Termas Romanas, vemos vestígios do Ninfeu (de forma semi-circular como era o uso desses templos) que era uma zona de oração consagrada às ninfas, divindades das águas e mais especialmente dos rios. No Império Romano, a religião sendo o paganismo, havia uma sacralização das águas e os Romanos vinham no Ninfeu quando tinham uma dificuldade de vida. No século I, este espaço estaria fora da área termal, que atravessaria o Rio Tâmega antes da Ponte Romana. Era aqui que pudia experimentar as águas, rezar, e foi também neste espaço que os arqueólogos encontraram as lucernas (que são as candeias de iluminação do Império Romano). O Ninfeu foi perdendo importância com a chegada do Cristianismo que foi crescendo nos séculos II e III. O Cristianismo foi declarada a religião oficial do Império Romano no final do século IV. Uma das razões pelas quais a população deixou de tomar banho na Idade Média é porque os pagãos tomavam banho todos os dias, então a religião cristã proibia tomar banho.

A área das Termas Romanas que foi descoberta representa 40 a 50 por cento do espaço total do balneario no périodo romano. Isso nos mostra a impôrtancia do balneario que é considerado hoje dentro dos 5 mais preservados do mundo.

A Câmara Municipal de Chaves tem o objetivo de muzealisar o espaço daqui a ums anos dando lugar ao maior Museu do gênero em Portugal. Ainda faltam algumas coisas para finalizar o futuro museu : os arqueólogos vão refazer as comportas romanas, vão ser repostas algumas pedras que faltam nos tanques e os tanques devem ser enchidos de água. O Museu incluirá a parte superior com multimedia e painéis explicativos, e uma visita na parte inferior muito provavelmente com uma guia, não acessível ao público por diversos motivos. A parte inferior terá também um espaço preparado para acolher espetáculos e peças de teatro.

No final, o Museu das Termas Romanas será um Museu Vivo !

The biggest Roman baths in the Iberian Peninsula

In August, during the Roman festival, I had the chance to visit the future Roman Baths Museum, a major heritage left by the Roman Empire, and which was discovered 10 years ago completely by chance. The Roman Baths represent an important evidence of the existence of the Romans in the City of Chaves (together with several Roman camps and the Roman Road XVII which passed through the Roman Bridge).

The Roman Baths were discovered by chance in 2006 when the Municipality of Chaves was about to build a subterranean parking lot in the Largo Arrabalde next to the Courthouse. The Municipality sent archeologists to do excavations on site which lasted a few years and put into light the biggest medicinal roman baths in the Iberian Peninsula.

Beside the structures, the walls, the 3 large pools and the 7 small individual pools, other objects in were found such as personal use items, decorations, rings, bracelets and metals. They were found in very good condition because the soil stayed humid and closed during all these centuries. The entire base of the baths are made of wood still very well preserved. The objects found are exposed in the Museum of the Flaviense Region.

With this unique discovery, we found out a lot about the Roman times in Aquae Flaviae and the use of the Roman Baths at this time.

The Roman Baths had a first phase of construction in the 1st century and afterwards in the end of the 2nd century, beginning of 3rd century, there was a profound refurbishment of the baths. The baths as we can see them today come from this last refurbishment. The Roman Baths were fully used and operational until the end of the 4th century when a big earthquake shook the city and buried the whole site. According to the vestiges found onsite and analyzed by the archaeologists, the occurrence of this earthquake would have been a similar situation as the one in Pompeii, roman city destroyed by the eruption of a volcano.

After the destruction of the baths by the earthquake, the stones on site were plundered for around 200 years and then the location was abandoned. The place is occupied again around the 9th and 10th centuries (traces were found). Afterwards, during many years, that’s where the forges of the city were operating. Later in the 16th century, the medieval walls passed through the city and part of them are built on the location of the ancient baths. In the end of the 18th century, beginning of the 19th century, the Municipal Market of Chaves was installed there (in the current Largo do Arrabalde) until the end of 1945.

In the Roman Baths which are today at 6 to 8 meters deep, the archaeologists identified 10 pools : 3 big pools and 7 individual smaller ones. All the pools have 4 entries, except one with only 3 entries. The Baths could be accessed by the public road, by at least one entrance, and most probably 4 in total, 1 on each side.

In the 1st century, there were therapeutic baths and hygienic baths side by side. Indeed, in Roman times, the people from Aquae Flaviae did not have bathrooms in their homes and since it was the habit to take a bath every day, they came to the hygienic baths to do so.

The therapeutic baths only existed where they were medicinal waters, so with its famous medicinal waters, it made sense at that time to have therapeutic baths in Aquae Flaviae. The thermal waters were one of the main reasons of the settlement of the people and the founding of the Roman town of Aquae Flaviae. We can consider the medicinal therms of Aquae Flaviae as the first hospitals in the Roman Empire and they were part of a thermal treatment network like the other Roman towns which had the element “Aquae” in their names, nearly 100 towns all over the Empire and 8 known in Hispania. According to the vestiges found during the excavations, the people came from far away to heal themselves (Andalusia or Barcelona).

In the baths, there was also a part where the Roman could do physical exercises.

In another area of the Roman Baths, we can see vestiges of the Nymphaeum (a semi-circular shape temple vestige) which was the prayer zone dedicated to the nymphs, divinities of the waters and more especially of the rivers. In the Roman Empire, the religion being the paganism, there was a sacralization of the waters and the Roman people came to the Nymphaeum when they had a problem in their lives. In the 1st century, this location was out of the Roman baths, which passed through the Tamega river before the Roman Bridge. It was there that they could try the thermal baths, pray and that is where the archaeologists found ancient Roman lamps. The Nymphaeum started to lose importance when Christianity arrived and grew slowly during the 2nd and 3rd centuries. Christianity became the official religion in the Roman Empire in the end of the 4th century. One of the reasons why the people stopped having a bath in the Middle Ages is because the pagans used to have a bath every day, so it was prohibited in the Christian religion.

The area of the Roman Baths which was discovered represents 40 to 50 per cent of the total space in the Roman period. This shows the importance of the baths that are considered today as among the 5 most preserved in the world.

The Municipality of Chaves aims to create a Museum in a few years, creating the biggest Museum of that kind in Portugal. There is still missing some things to finalize the future Roman Baths Museum: the archaeologists are going to rebuild the Roman ruins, they will put some missing stones on the pools which will be filled in with water afterwards. The Museum will have an upper part with multimedia services and explanatory panels, and a visit in the lower part should be available probably with a guide and not accessible to the public for various reasons. The lower part will have also a space prepared specially for shows and theatre performances.

At the end, the Roman Baths Museum will be a lively museum !

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